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PSD ‘forçou’ saída de maçom

PSD ‘forçou’ saída de maçom

Passos incomodado com ligação de Saragoça da Matta ao GOL. Advogado garante que desistiu por críticas da área da justiça

Ângela Silva e Rui Gustavo

Teresa Leal Coelho garante não estar obcecada em perseguir maçons, mas não gostou de saber pelo “Público” que o advogado Paulo Saragoça da Matta, por ela sugerido no grupo parlamentar do PSD para o Tribunal Constitucional (TC), pertencerá ao Grande Oriente Lusitano (GOL).
Depois de, em outubro passado, ter estado na origem de um controverso relatório sobre os serviços secretos que referia a maçonaria como “um influente grupo de pressão” capaz de “afetar a credibilidade” das secretas, a deputada confessa ter ficado “muito incomodada” com a notícia do “Público”, cuja veracidade tratou de esclarecer. Telefonou ao próprio a perguntar-lhe e, pouco tempo depois, o advogado desistia da candidatura.
Saragoça da Matta nega ter sido forçado a desistir, seja pelo PSD, seja pela notícia de que é maçom: “As razões pessoais que referi estão exclusivamente relacionadas com a inimizade que o meu nome levantou junto da comunidade jurídica”, explica em declarações ao Expresso. Certo é que a sua decisão surge na sequência do pedido de explicações da deputada do PSD.
“Depois de toda a minha narrativa sobre a necessidade de transparência e de impedir que poderes crípticos possam influenciar os poderes públicos, claro que fiquei incomodada e quis saber se era verdade ou não”, explicou Teresa Leal Coelho ao Expresso. A deputada rejeita “qualquer discriminação ou visão maniqueísta em tomo das fidelidades maçónicas”, mas continua a defender a necessidade de transparência e estranha que Saragoça da Matta, que conhece há vários anos e que acompanhou as suas recentes tomadas de posição, lhe tenha omitido a eventual ligação ao GOL. Passos Coelho também foi apanhado desprevenido e ficou incomodado com a delicadeza da questão. E foi depois de falar com o PM que Teresa Leal Coelho telefonou ao advogado, para lhe perguntar se era verdade o que o jornal dizia. Para o caso de Saragoça da Matta desistir, o PSD tinha na calha o nome que fez avançar: Maria José Rangel Mesquita, advogada e doutorada em Direito Comunitário e que há dois dias foi aprovada por unanimidade nas suas provas de agregação. Saragoça da Matta recusa “fazer quaisquer comentários” sobre a conversa que teve com a deputada. E insiste que as suas razões são outras. Não terá gostado, em particular, de ler as declarações de constitucionalistas como Jorge Miranda e Bacelar Gouveia e de ter visto o seu currículo reduzido ao papel de “advogado de João Vale e Azevedo”. “Convém que estes lugares sejam ocupados por pessoas queridas junto da comunidade e não é o caso”, frisa o professor de Direito de Universidade Clássica.
Mas se a decisão de se afastar da candidatura ao Constitucional já estava tomada antes da notícia que o identificava como maçom, o telefonema de Teresa Leal Coelho foi, pelo menos, a gota de água.

Expresso 2012-04-21

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