Balsemão vai apresentar queixa-crime por ter sido espiado
Balsemão vai apresentar queixa-crime por ter sido espiado
Por Sílvia Caneco
Relatório encomendado por Silva Carvalho e passado à Ongoing na origem da queixa do presidente da Impresa
Francisco Pinto Balsemão vai apresentar uma queixa-crime por ter sido investigado a mando de Jorge Silva Carvalho quando este já trabalhava na Ongoing. O presidente da Impresa e fundador do PSD foi alvo de um relatório que consta do processo das secretas, em que são acusados o ex-director do SIED, Nuno Vasconcellos (patrão da Ongoing), e João Luís, ex-director do Departamento Operacional do SIED.
Depois de ser surpreendido por dados sobre a sua vida constarem do processo das secretas, Francisco Pinto Balsemão decidiu responsabilizar criminalmente os autores do documento devido à produção e conteúdo de um relatório com “dezenas de calúnias e falsidades – algumas das quais de mau gosto e grotescas”.
Em declarações ao i, Pinto Balsemão diz ter ficado chocado ao “conhecer os métodos, os princípios e as práticas adoptadas por pessoas e empresas que desenvolvem as suas actividades livre e impunemente numa sociedade democrática”. O presidente da Imprensa estará ainda a aconselhar-se com os seus advogados para decidir se a queixa irá recair apenas sobre Silva Carvalho, que encomendou o relatório, e Paulo Félix, o funcionário da Ongoing que o terá produzido, ou também sobre a própria Ongoing.
Tal como o i noticiou hoje, Silva Carvalho enviou a 4 de Setembro de 2011 um email a pedir para verem “em fontes abertas tudo o que havia “sobre o Balsinhas” (nome de código para Balsemão), “em particular sobre os empréstimos que tem, que bancos, quando venciam, etc.”. Silva Carvalho argumentava que essa informação interessava “à estrutura financeira e económica da empresa” (Ongoing). E terminava dizendo que “gostava de idealmente” ter resultados ainda no final dessa semana. Horas depois, Paulo Félix, então funcionário da Ongoing e ex-inspector da Polícia Judiciária, respondeu: “Vou ver o que consigo.” O resultado é um relatório de 31 páginas que consta do processo-crime e que inclui uma colectânea de notícias sobre Balsemão, uma cronologia com os factos mais importantes da sua biografia, uma lista de amigos, inimigos e aliados e até considerações sobre a sua performance sexual.
Da lista de inimigos consta logo no topo Nuno Vasconcellos (que o relatório descreve como “afilhado de casamento, filho do grande amigo Luiz e hoje o seu mais visível opositor), Rafael Mora (“gestor espanhol sócio de Nuno Vasconcellos), Joe Berardo ou José Sócrates. Cavaco Silva, Paulo Portas (por “oposição à privatização da RTP”) e Zeinal Bava aparecem na lista dos liados, Fernando Ulrich, Juan Carlos I ou João Rendeiro na lista dos amigos.
Recorde-se que à data em que foi enviado o pedido de informações sobre Balsemão já tinha estalado o caso das secretas, precisamente no “Expresso”, propriedade da Impresa.
Difamação na Net A 9 de Maio, o i avançou que Jorge Silva Carvalho era acusado de usar as secretas para desacreditar concorrentes da Ongoing. Os autos confirmam agora que uma das campanhas difamatórias foi precisamente contra Francisco Pinto Balsemão. Além do relatório, há ainda informações no processo que mostram que foi iniciada uma campanha na internet para difamar o patrão da Impresa. Ao todo, segundo emails trocados entre Paulo Félix, Silva Carvalho e João Alfaro (então da Ongoing e ex-SIS), terão sido postos online 1500 tweets, com 1500 re-tweets, mal começaram a sair as primeiras notícias no “Expresso”. Paulo Félix e Alfaro criaram vários nicknames falsos para publicarem com grande impacto no twitter frases como “Quem passou ao Expresso a informação sobre os dois ex-espiões senão o SIS? Qual a agenda escondida do Sr. Balsemão?”, “Jorge Silva Carvalho é atacado por ser impoluto!”, “Jorge Silva Carvalho devia ser o próximo SIRP para acabar com as passagens de informação do SIS e SIED para Balsemão ou “Baixaria: Expresso/Balsemão usam todos os meios para tentar denegrir Ongoing.”
Além de alegadamente ter utilizado o SIED como veículo para obter informação secreta a favor dos interesses da Ongoing, Silva Carvalho terá também originado uma “confusão” entre os serviços de informação e a Ongoing por, já ao serviço do grupo de media, ter chamado para trabalhar consigo ex-agentes do SIS (João Alfaro) e da PJ (Paulo Félix e Álvaro Negrão) que se dedicavam a informação e contra-informação empresarial. De acordo com o despacho de acusação da 9ª secção do DIAP de Lisboa, esses funcionários que trabalhavam no OSS – Ongoing Strategic Studies, seriam responsáveis “pela utilização massiva do twitter, de espaços públicos de opinião e de sites para desacreditar concorrentes” e “defender Jorge Silva Carvalho”, na sequência da sua contratação para a Ongoing e notícias do “Expresso”.
Jornal I 2012-05-26










