Tribunais em risco de colapso informático


JUSTIÇA

Tribunais em risco de colapso informático

Demissão Saída dos dez elementos que arquitetaram o sistema informático Citius/Habilus não foi contestada pelo ministério

O Ministério da Justiça (MJ) não tentou evitar a demissão dos dez elementos da equipa do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos de Justiça (IGFEJ) que geria a aplicação informática Citius/Habilus utilizada por todos os tribunais. A saída destes elementos que arquitetaram todo o programa pode, segundo Fernando Jorge, presidente do Sindicato dos Funcionários de Justiça (foto), colapsar o funcionamento dos tribunais.

“O programa gere toda a tramitação processual em todos os tribunais. Se falhar os tribunais fecham as portas”, afirmou ao DN Fernando Jorge. A equipa estava sediada em Coimbra, onde também estão os servidores que gerem a plataforma. “Foram eles que criaram o programa há mais de dez anos. Devido à capacidade e qualidade até foi vendido para outros países”, referiu o líder sindical que apontou como razão da demissão a “falta de consideração” do MJ pelos dez funcionários.

“A decisão de a gestão da plataforma ser entregue a uma empresa externa, a Criticai Software, até pode ser legítima. Mas nunca foi comunicado nada a estas dez pessoas. Este grupo deveria ter sido integrado. Não houve qualquer tipo de diálogo”, aponta Fernando Jorge. “Estas pessoas tinham um suplemento remuneratório de cerca de 200 euros que deixaram de receber em janeiro. São profissionais com orgulho no seu trabalho que se sentiram rebaixados.” Rui Pereira, presidente do IGFEJ, disse que não há motivos para alarme. UR