REGRESSO CUSTA 170 MILHÕES/ANO


DÍVIDA PÚBLICA – PORTUGAL FAZ EMISSÃO DE TRÊS MIL MILHÕES A DEZ ANOS

REGRESSO CUSTA 170 MILHÕES/ANO

MIGUEL ALEXANDRE GANHÃO

Portugal regressou ontem aos mercados de dívida pública de longo prazo, com uma emissão de três mil milhões de euros a dez anos, antecipando em mais de um ano os objetivos do Governo.

O ministro das Finanças falou em “grande sucesso”, mas com uma taxa de juro de 5,65%, esta emissão vai custar aos cofres do Estado cerca de 170 milhões de euros por ano. No final da maturidade, vamos pagar mais 1200 milhões de euros do que se o mesmo empréstimo fosse concedido (pelo mesmo prazo) à Alemanha.

Vítor Gaspar disse, em Bruxelas, que Portugal já preencheu todas as necessidades de financiamento para este ano e está a começar “o pré-financiamento ” de 2014. Com efeito, um dos objetivos já publicamente manifestados por Moreira Rato, presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), é conseguir que Portugal se financie totalmente com um ano de antecedência, conseguido o dinheiro que precisa em 2015 logo em 2014.

Para isso, o Governo tenciona divulgar brevemente uma “estratégia de financiamento regular adiantou ontem a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque.

Na emissão de ontem, as grandes novidades foram, além do prazo, a grande procura que superou três vezes a oferta, vinda de investidores que, até aqui, não mostravam interesse pela dívida portuguesa, como foi o caso de bancos centrais e companhias de seguros. Em termos geográficos, os países escandinavos (Finlândia, Noruega, Suécia e Dinamarca) compraram grandes quantidades de dívida.

ACESSO TOTAL

As agências de notação financeira consideraram a emissão da dívida a dez anos como “positiva”, apesar de a Moody’s afirmar que a emissão não quer dizer que Portugal tenha já acesso total aos mercados.

BOM CAMINHO

“A emissão de dívida a dez anos foi uma operação bem-sucedida e constitui um passo importante no nosso caminho para o regresso ao acesso normalizado ao mercado”, afirmou o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

PARTICULARES

O presidente do IGCP, Moreira Rato, disse que estão a ser estudadas emissões de dívida a serem colocadas junto de investidores particulares. Aquele responsável falou em “Certificados do Tesouro Série B”.

Troika começou a ouvir as sugestões do Governo

Os representantes da troika começaram a trabalhar ontem logo pela manhã no Ministério das Finanças. Abebe Selassie, Albert Jaeger e Júrgen Kroger quiseram saber quais são as alternativas do Governo português para compensar a não aplicação da taxa de sustentabilidade aos reformados.

Na carta enviada por Passos Coelho no dia 3 de maio, o Governo detalhou os cortes que iriam ser feitos de modo a compensar os chumbos do Tribunal Constitucional.

Só com a concordância dos elementos da troika às medidas propostas será fechado o sétimo exame regular.

PORMENORES

“SENTIDO ÚTIL”

O PSD congratulou-se ontem com os resultados da emissão de dívida a dez anos e considerou que dão “um sentido útil” aos sacrifícios realizados pelos portugueses.

PS SAÚDA REGRESSO

0 secretário nacional do PS, Eurico Dias, manifestou ontem regozijo pela emissão de dívida a dez anos, “apesar de o Governo não atingir metas”.

BCE APLAUDE

O membro do conselho executivo do Banco Central Europeu Yves Mersch qualificou como um “enorme sucesso” a emissão de dívida a dez anos feita por Portugal.

Passos abandona taxa sobre as reformas

Passos Coelho disse ontem ao secretário-geral da UGT, Carlos Silva, o que toda a gente ficou a saber pela comunicação de Paulo Portas: a taxa de sustentabilidade a aplicar aos reformados será abandonada.

Depois de o sindicalista ter ssumido perentoriamente que o primeiro-ministro “assumiu perante a UGT que não haverá aplicação da taxa “. A central sindical veio esclarecer mais tarde que, afinal, o primeiro -ministro nunca lhe disse que iria abdicar da nova taxa sobre as pensões, mas sim que se mostrou disponível para substituir essa medida por outra de valor equivalente.

Hoje mesmo, Pedro Passos Coelho vai reunir- se com deputados dos partidos da maioria, de modo a recolher sugestões de cortes na despesa, que permitam que a taxa de sustentabilidade seja definitivamente afastada.