A guerra pela informação


SABADO.PT  – 04-04-2018

 

Nas últimas semanas o Facebook foi notícia pelas piores razões. Nas últimas semanas o Facebook foi notícia pelas piores razões.A utilização de dados desta rede social para diversos fins conduziu a uma onda de protestos nos Estados Unidos da América, a uma queda vertiginosa das acções da companhia na bolsa, bem como pedidos de desculpa de Mark Zuckerberg.

O escândalo permitiu dar a conhecer à opinião pública a actividade de empresas como a Cambridge Analytica. Esta empresa desenvolveu um sistema de análise e tratamento dos dados armazenados no Facebook que permite traçar perfis de personalidade.

Com base nos mesmos foram criados diversos artigos que passaram a circular na internet.

A divulgação de diversos artigos seleccionados, direccionados a um determinado perfil, permitiu alterar a opinião de muitos eleitores norte-americanos.

A nossa opinião forma-se de acordo com o que lemos e uma empresa conduziu os internautas para os artigos que defendiam as opiniões que interessavam à empresa e seus clientes.

A manipulação da opinião pública passou a ser mais sofisticada e personalizada.

A publicidade direccionada é facilmente perceptível em diversos motores de busca como o Google.

O utilizador que pesquisa um serviço ou a venda de um produto rapidamente recebe publicidade relacionada com o que procura, sem que o tenha solicitado.

O que se procura nos motores de busca ou as informações colocadas nas redes sociais permite descobrir e revelar a personalidade do utilizador.

Se as empresas privadas conseguem tratar e utilizar as informações, imaginemos agora o que os serviços secretos poderão fazer. é cada vez mais determinante.

A China bloqueia a utilização do Facebook e do Google no seu território e disponibiliza os seus próprios motores de busca. Desta forma consegue garantir o controlo sobre os dados de quem reside ou se encontra naquele País.

O escândalo do programa Echelon, da NSA ( agência de informação americana), também provocou graves problemas diplomáticos, uma vez que interceptou e tratou os dados de comunicações dentro e fora dos Estados Unidos, recorrendo a tecnologia altamente sofisticada, tendo chegado inclusivamente a interceptar conversações de governantes de outros estados.

De acordo com alguns especialistas, estima-se que este programa tenha monitorizado cerca de 90% do tráfego da internet.

Outras empresas especializaram-se na construção de notícias falsas e sua disseminação na internet. Na Rússia há empresas que chegam a ocupar edifícios com vários andares e só se dedicam a este tipo de actividade.

Ao nível da investigação criminal, a pesquisa de dados nas redes sociais tem cada vez mais importância.

Por vezes, alguns criminosos exibem produtos furtados valiosos na sua página de Facebook, noutras situações revelam a sua localização através das fotografias que publicam.

Acresce que a análise das fotografias permite estabelecer ligações entre indivíduos que actuam em grupo ou os veículos que utilizam, o que tem permitido a descoberta de muitos autores de crimes.

Por conhecer bem a forma de actuação dos serviços secretos e da investigação criminal, Osama Bin Laden conseguiu esconder-se durante cerca de 10 anos. Para o efeito deixou de utilizar computador, telemóvel ou outros aparelhos electrónicos e começou a comunicar por mensagens escritas levadas por mensageiros.

É curioso que os meios mais rudimentares sejam os melhores para combater a tecnologia mais avançada.
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por, António Ventinhas