CM – Procuradora alvo da guerra no MP


Autor: Manuela Teixeira
Data: Domingo, 08 de Agosto de 2010
Pág.: 30
Temática: Política

FREEPORT – CÂNDIDA ALMEIDA ATACADA POR NEGAR INQUÉRITO A JOSÉ SÓCRATES

Directora do DCIAP, Cândida Almeida, terá recusado aos procuradores do processo a inquirição a Sócrates e ainda não explicou a polémica decisão

Cândida Almeida, é acusada de ter impedido os procuradores de chamar José Sócrates a depor no processo Freeport. Perante a insistência e o incómodo dos magistrados, a procuradora comprometeu-se a incluir no despacho de acusação e arquivamento as 27 perguntas que não deixou serem feitas ao primeiro-ministro. — A guerra que se abriu com aquele polémico despacho centra-se agora em Cândida Almeida, a quem são imputadas as responsabilidades das diligências não realizadas. Por seu lado, Pinto Monteiro, responsável máximo do  Ministério Público, que concordou com o despacho da procuradora, faz saber que não tenciona demitir-se do cargo. “Um beirão honesto nunca desiste daquilo em que acredita”; afirmou Pinto Monteiro em entrevista ao ‘Expresso.’ “Um beirão não cede a ataques”; disse também há dias ao CM Pinto Monteiro, oriundo de Porto de Ovelha, no concelho de Almeida.

Refira-se que face à polémica gerada com as 27 perguntas que não foram feitas a José Sócrates, o PGR emitiu um comunicado em que afirma nunca ter dado instruções à procuradora sobre as pessoas que deviam ser inquiridas e até se mostrou perplexo. Pinto Monteiro decidiu mesmo abrir um inquérito sobre o assunto mas acabou também por ser atacado pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, que o desafia a assumir se tem ou não condições para se manter como PGR

DEFENDE DEMISSÃO

Pires de Lima, antigo bastonário da Ordem dos Advogados, defende a demissão da procuradora Cândida Almeida e dos dois procuradores. Entende que o PGR foi enganado.

REUNIÃO DE HAIA

Na reunião de Haia, em Fevereiro de 2009, Cândida Almeida ter-se-á indignado quando os ingleses sugeriram equipas mistas e mostraram interesse em investigar o actual primeiro-ministro.

SILÊNCIO

A directora do DCIAP continua incontactável. Cândida Almeida remeteu-se ao silêncio desde o dia em que foi revelado o despacho e em que rebentou a polémica das 27 perguntas que não foram feitas a Sócrates.