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SMMP - Sindicato dos Magistrados do Ministério Público Polícias de mão dada a traficantes

Polícias de mão dada a traficantes

INVESTIGAÇÃO Agente da PSP da esquadra da Baixa detido por integrar rede de tráfico e outro polícia constituído arguido ‘BANHADAS’ Grupo roubava droga a outros traficantes que não faziam queixa às autoridades

JOÃO CARLOS RODRIGUES/ /MIGUEL CURADO

No horário de expediente, Pedro Mestre vestia a farda azul da PSP pelas ruas da Baixa de Lisboa. Era polícia desde novembro de 2005 e atualmente estava colocado na esquadra da rua da Prata. Tem dois filhos já adolescentes e recentemente começou uma nova relação amorosa. Mas fora das horas de serviço passava para o outro lado. Era o ‘braço armado’ de um grupo de traficantes desmantelado, ontem, numa megaoperação da PSP que terminou com quatro detidos. Pedro Mestre é um deles. Foi

apanhado por colegas.

Segundo o CM apurou, a investigação começou há um ano, na sequência de uma participação da GNR de Castro Marim, que detetou dois agentes da PSP a fazer uma operação stop sem justificação naquela zona do Algarve perto da fronteira com Espanha. Um era Pedro Mestre, o outro o agente Mariano, também a prestar serviço na PSP de Lisboa, com funções de patrulheiro.

A Divisão de Investigação Criminal, sob tutela do Departamento de Investigação e Ação Penal, pegou no caso e, ao longo do último ano, percebeu os moldes do esquema. Pedro Mestre inicialmentecom o apoio de Mariano, que depois saltou fora davaapoio a um grupo de traficantes a dar ‘banhadas de droga’ agangs rivais.

Encomendavam haxixe, mas quando a transação ia ser feita apareciam os polícias. Mas ao serviço dos criminosos. Desta forma o grupo ficava com a droga sem pagar nada. Depois traficava-anas zonas de Lisboae Setúbal. Os polícias envolvidos eram pagos pela colaboração, num esquema em que todos lucravam e em que as vítimas dificilmente apresentavam queixa, pelo menos oficialmente.

Ontem de madrugada, cerca de 150 elementos da PSP avançaram para uma megaoperação que levou a buscas a mais de 30 locais em Lisboa, Cascais, Setúbal e Beja. Quatro pessoas foram detidas – entre elas, o agente Pedro Mestre – e outras dez constituídas arguidas, sendo o agente Mariano uma delas.

Corrupção, coação e armas proibidas

O grupo, incluindo os agentes da PSP, está indiciado por associação criminosa, corrupção, favorecimento pessoal praticado por funcionário, extorsão, coação, detenção de armas proibidas e tráfico de estupefacientes.

Detidos presentes hoje em tribunal

Os detidos serão presentes hoje no Tribunal Central de Instrução Criminal para primeiro interrogatório e aplicação das medidas de coação.

Preso por homicídio tentado em 2019

Um dos arguidos já se encontra em prisão preventiva devido a outro inquérito, por homicídio na forma tentada, detido em novembro de 2019.

Em flagrante com armas ilegais

A PSP pretendia cumprir dois mandados de detenção, mas acabou por deter mais dois homens. Foram apanhados em flagrante com armas ilegais.

Carros, munições e 5 doses de haxixe

No decurso das buscas -22 domiciliárias e 28 não domiciliárias – foram apreendidos um revólver, uma caçadeira de canos longos calibre 12, uma pistola de alarme alterada para calibre 6,35mm, dezenas de cartuchos e munições e viaturas. No entanto, apenas cinco doses de haxixe.

Detido dentro da esquadra

O agente Pedro Mestre foi detido por colegas, ontem de manhã, assim que entrou na esquadra da rua da Prata, onde estava colocado. Não esboçou qualquer resistência, mas a ação policial surpreendeu os colegas, que só naquele momento perceberam que o polícia com quem faziam patrulhas também estava ao serviço de traficantes.

Por estar detido, naturalmente, está já afastado do serviço. Mais complexa é a situação do agente Mariano. Como teve

uma participação menor no esquema, foi apenas constituído arguido e vai aguardar o desenvolvimento do processo em liberdade. Mas pode ser suspenso a qualquer momento por de cisãodo Diretor Nacional da PSP, caso julgue essa medida necessária para o normal funcionamento da instituição. Mariano esteve há alguns anos numa missão da PSP ao serviço da ONU em Timor, onde ficou depois em licença sem vencimento. Quando regressou a Portugal voltou à PSP.

Tráfico de armas em julgamento

O início do julgamento de 12 pessoas acusadas de estarem envolvidas no furto de 55 armas Glock do armeiro da Direção Nacional PSP está marcado para 18 de junho, no tribunal judicial de Lisboa.

Na acusação, o Ministério Público considera que o agente Luís Gaiba aproveitou o deficiente controlo do armeiro, do qual foi responsável, para furtar as armas, avaliadas em cerca de 20 mil euros. Luís Gaiba está acusado de associação criminosa, tráfico e mediação de armas, branqueamento de capitais, detenção de arma proibida e peculato. As armas teriam como destino final a Guiné Bissau.

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