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Descodificador: A ADSE vai falir?

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Ivo Rosa O juiz que decide

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Cartas ao director

Cartas ao director

A solução sem futuro do Aeroporto do Montijo

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OPERAÇÃO MARQUÊS PRIMO DOS 200 MILHÕES OBEDECE A S0CRATES

OPERAÇÃO MARQUÊS

PRIMO DOS 200 MILHÕES OBEDECE A S0CRATES

CRIOU SOCIEDADES OFFSHOREpoucos meses após Sócrates ter tomado posse como primeiro-ministro

ANTÓNIO SÉRGIO AZENHA

O primo de José Sócrates terá uma fortuna entre 200 e 300 milhões de euros, mas, segundo um relatório integrado na Operação Marquês, mostra uma atitude de submissão em relação aos pedidos e ordens de Sócrates.

Nesse documento, o relacionamento entre José Paulo Bernardo Pinto de Sousa e Sócrates é narrado da seguinte forma: “Para além da relação familiar existente entre José Paulo Sousa e o primo direito José Sócrates, evidencia-se um outro tipo de relação, em que José Paulo se mostra subserviente aos pedidos/ordens de José Sócrates, aparentemente não explicáveis apenas por uma relação familiar.”

O autor do relatório é Paulo Silva, inspetor tributário que participou nos processos Marquês e Monte Branco. A partir de janeiro de 2013, José Paulo foi um dos alvos principais do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) no inquérito Monte Branco.

Anos depois, já na Operação Marquês, um documento do banco suíço UBS sobre a conta bancária da Benguela Foundation, offshore de José Paulo, revelou a fortuna do primo de Sócrates: com a data de 10 de maio de 2016 inscrita no rodapé, o documento da UBS, que está nos autos da Operação Marquês, indica no campo da “fortuna total/composição” que “a riqueza familiar é aproximadamente de 200 a 300 milhões de euros”.

Graças às escutas no Monte Branco, o DCIAP detetou indícios de uma relação de submissão de José Paulo face a duas pessoas: Sócrates e Hélder Bataglia, empresário arguido no caso Marquês. A este propósito, o relatório cita uma conversa entre o primo de Sócrates e o irmão António Pinto de Sousa, em que “José Paulo, face às dificuldades financeiras que atravessam, pede ao irmão para não deixar transparecer nada de anormal para ‘o chefe’ nem

para ‘o viajante’, para não criar descrédito” (ver páginas seguintes).

E o relatório adianta: “A expressão ‘viajante’ foi utilizada diversas vezes, quer por José Paulo, quer pelos interlocutores, para se referirem a Hélder Bataglia. Face à atitude de servidão demonstrada, a expressão ‘chefe’ poderá ser utilizada para se referirem a José Sócrates.”

Daí que no relatório seja apresentada esta conclusão: “Contrariamente ao poder que tem relativamente aos irmãos e à maioria dos parceiros de negócios, José Paulo tem outra relação de subserviência, desta vez o seu primo José Sócrates.” E acrescenta: “Verificou-se que José Paulo acede a todos os seus pedidos e demonstra como que obrigação em o fazer.” •

ESCUTA O José Sócrátes telefonou ao primo de madrugada e este, apesar de estar deitado, acedeu deslocar-se a sua casa DADO © José Paulo criou sociedades offshore poucos meses depois Sócrátes tomar posse como primeiro-ministro e é suspeito de ser um testa de ferro do seu familiar

ANTÓNIO SÉRGIO AZENHA

As escutas do processo Monte Branco revelam detalhes surpreendentes sobre arelação entre Sócrátes e o primo José Paulo: em abril de 2013, o antigo primeiro-ministro telefonou ao primo às 03h00 da madrugada e este, apesar de jà estar deitado, acedeu ao pedido par a se deslocar a casa de Sócrates. José Paulo é suspeito de ser vim testa de ferro de Sócrátes e terá utilizado as contas bancárias na Suíça de duas sociedades offshore, das quais era o último beneficiário, para movimentar uma parte do dinheiro que Sócrates terá recebido em luvas por essas contas bancárias terão passado, segundo a acusação da Operação Marquês, nove miíhões de euros de alegados subornos do Grupo Espírito Santo.

As interceções telefónicas registaram um número apreciável de conversas entre José Paulo e Sócrátes e também com Carlos Santos Silva, amigo de juventude de Sócrates. Um dos momentos mais desconfortáveis para Sócrátes ocorreu quando o semanário ‘Sol’ publicou a notícia de que um agricultor de Coruche encontrara 1300 cheques em nome de Sócrátes e de outros familiares.

Foi na sequência dessa notícia que Sócrátes telefonou a José Paulo às 03h00 da madrugada e lhe pediu para se deslocar a sua

casa, na rua Braamcamp, em Lisboa. Uma das escutas dó caso. Monte Branco destacadas no relatório sobre José Paulo, de setembro de 2013, foi um SMS que este enviou à mulher, em maio desse ano: “Meu jantar está para as 9h e depois de jantar ainda vou ao Zezito para falar… Sorry… Mas são ossos do ofício” (verpágina ao lado).

As duas offshore de José Paulo foram constituídas poucos meses após Sócrátes ter tomado posse como primeiro -ministro, a 12 de março de 2005. A Gunter Finance foi constituída a 4 de agosto, nas Ilhas Virgens Britânicas, e a Benguela Foundation Jòi criada a 7 de setembro, no Panamá. Para o património financeiro destas offshore ser confidencial, José Paula terá dado ordens à UBS para dirigir a correspondência das contas da Gunter e da BenguelaFoundation à AMN Gonsultants, entidade responsável pela gestão dessas contas.

Sócrátes terá alegadamente recebido, segundo o Ministério Público, 34 milhões de euros em luvas do GES, do Grupo Lena e do empreendimento turístico de Vale do Lobo, no Algarve. Sócrátes nega ter recebido subornos e que tenha sido um primeiro-ministro corrupto.

José Paulo herdeiro de Santos Silva

BENEFICIÁRIO © Em caso de morte de Santos Silva, primo de Sócrates herdava 80% da fortuna

O primo de Sócrates era herdeiro de 80% dos ativos detidos por duas sociedades offshore controladas por Carlos Santos Silva: a Belino Foundation, constituída no Panamá a 15 de dezembro de 2005, e a Giffard, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas.

“Pese embora o arguido José Paulo [Bernardo] Pinto de Sousa não fosse formal mente interveniente nas contas da Belino Foundation e da Giffard, sendo Carlos Santos Silva formalmente o beneficiário último dessas sociedades, de acordo com instruções fornecidas por arguidos à UBS, em caso de morte de Carlos Santos Silva o primeiro herdaria 80% dos ativos afetos a essas contas, cabendo apenas 20% ao seu cônjuge de facto, a arguida Inês do Rosário, e à filha de ambos”, refere a acusação da Operação Marquês.

A acusação refere que, no início de 2008, Sócrates e o primo souberam que estariam a ser investigados no caso Freeport. Por isso, o amigo Santos Silva passou a ser, segundo a acusação, o testa de ferro de Sócrates, em vez do primo.

A Belino tinha também um cofre alugado na UBS, na Suíça.

Segundo a acusação, em julho de 2007 Sócrates e Santos Silva acordaram atribuir uma procuração a José Paulo “que o autorizava a aceder ao cofre com o numero 9232, sem necessidade da assinatura de Carlos Santos Silva”. Para o Ministério Público, isso permitia a José Paulo “recolher quantias em numerário das contas da Suíça e pertencentes ao arguido José Sócrates que aí fossem colocadas e proceder a sua entrega a este último “.

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