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SMMP - Sindicato dos Magistrados do Ministério Público Sindicatos de vários países denunciam McDonald’s por “assédio sexual sistémico”

Sindicatos de vários países denunciam McDonald’s por “assédio sexual sistémico”

A denúncia abrange sete países e reúne sindicatos da Austrália, Brasil, Chile, Colômbia, França, Reino Unido e Estados Unidos.

Sindicatos de vários países uniram-se para apresentar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) uma denúncia por “assédio sexual sistémico” no McDonald”s em lojas de vários países.

A história de Jamelia Fairley, uma funcionária do McDonald”s, no estado da Florida, nos EUA, é uma centelha que serve de exemplo no artigo do jornal britânico “The Guardian” para explanar uma série de denúncias tornadas públicas pela aliança de sindicatos. Jamelia alegou que um colega de trabalho a apalpou e outro colega perguntou quanto custaria fazer sexo com a sua filha de um ano.

A funcionária afiançou que depois de relatar o comportamento dos homens, as suas horas foram drasticamente reduzidas. “Ninguém deveria ter que passar pelo que passamos”, lamenta. A queixa de Jamelia Fairley alega que o McDonald”s não cumpriu as Diretrizes da Organização para Empresas Multinacionais.

Relativamente ao Brasil, o documento encaminhado ao “Dutch National Contact Point”, responsável por observar as diretrizes da OCDE para multinacionais, mostra que o Ministério Público do Trabalho recebeu 23 queixas com sérias indicações de assédio moral, assédio sexual e discriminação racial nas dependências da rede de “fast food”.

A denúncia abrange no total sete países e reúne sindicatos da Austrália, Brasil, Chile, Colômbia, França, Reino Unido e Estados Unidos. O caso envolve também dois grandes bancos de investimento, que detêm participações no McDonald”s: APG Asset Management, na Holanda, e Norges Bank, na Noruega.

Os sindicatos alegam ainda que os sistemas de monitorização interna e externa do APG Asset Management e do Norges Bank deveriam alertar para o crescente problema de assédio sexual na rede de “fast food”. Esta é a primeira queixa do género apresentada à OCDE para tratar do fim de “assédio sexual sistemático” numa empresa multinacional.

A União Internacional de Trabalhadores da Alimentação, a Federação Europeia de Sindicatos da Alimentação, Agricultura e Turismo, a brasileira União Geral dos Trabalhadores e o Sindicato Internacional de Trabalhadores em Serviços (Estados Unidos e Canadá) assinam a denúncia, com base nas diretrizes da OCDE para Empresas Multinacionais.

Segundo Sue Longley, secretária geral da União Internacional de Trabalhadores de Alimentação (International Union of Foodworkers, em inglês) numa declaração enviado à imprensa, citada pelo “The Guardian”, o McDonald”s deixou de criar um local de trabalho seguro. A queixa agora divulgada diz existir um padrão de assédio sexual e violência de género no McDonald”s, variando de comentários obscenos à agressão física.

O documento traz relatos de “dezenas de casos nos Estados Unidos nos quais trabalhadores de 16 anos acusaram supervisores de conduta imprópria, incluindo tentativa de violação, exposição indecente, toques indesejados e ofertas sexuais”. “As mulheres disseram ter sido ignoradas, ridicularizadas ou punidas quando denunciaram os casos à empresa”, lê-se na mesma queixa.

No Brasil, foi relatado que, “em dezembro de 2019, um inspetor encontrou sérias indicações de prática de assédio moral, assédio sexual e discriminação em 23 queixas de trabalhadores do McDonald”s em todo o país”. As queixas incluíam “toques indesejados, provocações verbais e outras más condutas dos supervisores”.

Na França, “um gerente do McDonald”s na instalou uma câmara no vestiário feminino e filmou secretamente jovens mulheres trocando de roupa”, segundo a mesma declaração enviada à imprensa.

Desta forma, a empresa ignorou as diretrizes da OCDE ao se recusar a envolver os trabalhadores e seus representantes para abordar o assédio sexual e o assédio de género nos seus estabelecimentos.

A McDonald”s Corporation afirmou, em comunicado, que analisará a reclamação quando a receber. A empresa explicou que é importante debater sobre locais de trabalho seguros e respeitosos. “É profundamente importante” e que a empresa e os seus parceiros “têm a responsabilidade de agir sobre esse assunto e estão comprometidos em promover mudanças positivas”.

Em maio de 2019, o McDonald”s recebeu quase duas dezenas de queixas de assédio sexual nos Estados Unidos. Todas arquivadas. No mesmo dia, inspetores do trabalho no Brasil lançaram uma investigação sobre assédio sexual e racismo sistémico no McDonald”s.

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