SMMP - Sindicato dos Magistrados do Ministério Público Activistas russos ponderam se vão recorrer à avaliação do risco de segurança

Têm de consentir que os seus dados sejam passados aos serviços de informações que propõem medidas de protecção

Os três activistas russos que convocaram em 23 de Janeiro uma manifestação a favor do opositor Alexey Navalny e cuja identidade foi comunicada pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) à embaixada da Federação Russa estão a ponderar se recorrem à avaliação do risco de segurança, passo prévio para que o assunto seja remetido ao gabinete da secretária-geral dos Serviços de Segurança Interna.

“Estamos a ponderar, fui eu que recebi esses termos [a comunicação da CML], mas até agora, daquilo que sei, os meus colegas não receberam nada”, disse ontem ao PÚBLIC Ksenia Ashrafulina, um dos três promotores do protesto, juntamente com Pavel Eliazarov, que, em 2014, obteve asilo político de Portugal. O terceiro membro, segundo Ashrafulina, pretende manter o anonimato.

“Fazemos juntos ou só eu?”, é a questão que se coloca a esta activista a respeito da comunicação camarária. Ao PÚBLICO, a câmara explicou os termos deste processo cujo objectivo é garantir a segurança dos apoiantes de Navalny e opositores de Vladimir Putin.

“O processo de ‘avaliação pessoal de risco de segurança’ é um processo que depende da anuência e vontade individual dos visados”, refere o município. É nesta primeira fase que a questão se encontra, não havendo ainda uma decisão por parte dos três activistas.

“Nesse sentido, a CML contactou os visados, tendo-lhes já enviado um termo de consentimento para que autorizem a transmissão dos respectivos dados ao gabinete da secretária-geral dos Serviços de Segurança Interna”, prossegue. Só depois, as autoridades nacionais de segurança farão o estudo de risco e proporão medidas de segurança.

“Em Portugal, acho que não pode existir um grande perigo, é um país seguro”, admite Ksenia Ashrafulina. Contudo, a evolução da política russa preocupa-a e pode vir a alterar os dados do problema.

“Temos eleições na Rússia, em Setembro, o Governo está com muito medo dos resultados e a prender pessoas com ligações directas à oposição, mas também os que fizeram um tweet inocente”, refere. “Este é o risco. Vamos ver o que se passa depois das eleições”, acrescenta.

PGR está a investigar a passagem de dados dos manifestantes à embaixada russa pela CML

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