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“Escusa de fazer de nós parvos”

INTERROGATÓRIO A FRANCISCO J. MARQUES

“Escusa de fazer de nós parvos”
JUIZ – Magistrado interrompe muitas vezes e lembra que uma sala de audiências não é um programa de televisão IRRITADO – Francisco J. Marques esteve várias horas a ser ouvido

TÂNIA LARANJO

Foi num tom muitas vezes informal que o juiz interrompeu Francisco J. Marques, ouvido como testemunha na ação cível a propósito dos mails do Benfica. “Escusa de fazer de nós parvos”, foi uma das tiradas do magistrado, quando o diretor de comunicação dos azuis-e-brancos tentou explicar que o Futebol Clube do Por

to não sabia o conteúdo dos mails que divulgava no seu programa do Porto Canal.

Outro reparo do juiz foi quando Francisco J. Marques explicou que era jornalista. Desdobrou-se em justificações, mas o magistrado cortou-lhe a palavra. Francisco voltou a insistir mais tarde, para garantir que tinha atuado como profissional de informação e não como empregado portista. O juiz chamou a atenção de que não estavam num programa de TV.

Outro momento, ainda sobre o facto do FC Porto ser beneficiado com o denegrir da imagem dos encarnados, foi quando o juiz ironizou: “O facto de não estar a insistir consigo em algumas coisas não quer dizer que esteja convencido do que está para aí a dizer.” A verdade é que Francisco J. Marques, que só foi arrolado a final, pelo próprio FC Porto, saiu visivelmente irritado da sala de audiências, onde falou durante várias horas.

As explicações, de que o FC Porto de nada sabia e que era ele quem decidia o conteúdo do que era divulgado, não pareceram convencer o juiz. Que chegou a censurar o advogado do FC Porto quando perguntou a Francisco J. Marques qual era o tipo de programa em que era feita a divulgação. “É um programa de informação”, respondeu o réu e o juiz questionou porque é que a pergunta não foi feita ao diretor de informação que tinha sido ouvido. Francisco ainda justificou com o seu cargo e o juiz rematou: “O problema é justamente esse. Tem muito menos credibilidade.”

TENTA EXPLICAR MAILS QUE FORAM TRUNCADOS

O juiz diz claramente que há mails truncados. Francisco J. Marques volta ao papel de jornalista e diz que é idêntico a um discurso, quando os jornalistas também selecionam uma parte. “É a mesma coisa”, assegura,

ESCOLHIDO | PORQUE FAZIA BARULHO

Francisco J. Marques foi interrogado sobre o motivo de ter sido o ‘escolhido’ para as denúncias. “Ele preferiu enviar para mim. Ele disse que tinha muita coisa complicada sobre a Justiça”, referiu, dizendo que fazia algum sentido porque na altura era quem estava a fazer barulho.

BRUXARIA | TEM INTERESSE PÚBLICO

O juiz perguntou se o mail sobre a bruxaria [associado a Armando Nhaga, na foto] tinha interesse público. “Tem muita relevância. Uma empresa cotada em Bolsa recorre a este expediente? É muito relevante!”, disse Francisco J. Marques, garantindo que “não houve gozo pessoal nessa divulgação”.

HISTORIA | FAZIA TRIAGEM

DIOGO FARIA FOI CONTRATADO DEVIDO À SUA FORMAÇÃO EM HISTÓRIA, GARANTIU O DIRETOR DO PORTO. ERA ELE QUEM FAZIA A TRIAGEM DO ACESSÓRIO PARA O IMPORTANTE

AMANTES | SÃO VIDA PESSOAL

O diretor de comunicação dos azuis-e-brancos garantiu que nunca divulgou mails da vida pessoal dos árbitros. “Nunca mostrámos as fotografias das amantes, mas elas estão lá”, afirmou Francisco J. Marques. O juiz respondeu: “Não mostrou, mas disse que elas estavam lá!” “Mas nunca se disse quem elas eram”, afirmou.

Disse que o FC Porto não sabia de nada dos mails

Diogo Faria assumiu em tribunal, quando foi ouvido, que Francisco J. Marques viu nele competências para analisar o caso dos mails, para analisar criticamente informação e distinguir o acessório do importante. “A análise dos mails foi trabalho executado exclusivamente por mim e por FJ Marques. Éramos os únicos com acesso ao computador em que estavam os dados”, garantiu, explicando que por estar em causa informação delicada e sensível, não foram incluídas mais pessoas na equipa.

Diogo Faria assumiu também que nunca falou com qualquer administrador do FC Porto, admitindo igualmente que eles nada sabiam. “Os ficheiros estavam armazenados fora da rede do FCP. O computador Mac era desligado do sistema do FCP e servia exclusivamente para guardar aquela informação. O computador nunca se ligou à rede informática e não era utilizado para mais coisas”, garantiu.

Também sobre os mails da bruxaria, Diogo assegurou que era um ato de gestão estranho. Referiu que fez busca no Google sobre os intervenientes.

Caso E-Toupeira foi referido como exemplo de prejuízo

O diretor de comunicação dos azuis-e-brancos garantiu que divulgou os mails “para informar o público e fazer a defesa do Futebol Clube do Porto, que foi muito prejudicado pelos esquemas que os mails revelam. O caso E-Toupeira é um bom exemplo disso”, concluiu Francisco J. Marques.

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