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Marcelo devia ser tão julgado como o jovem português que ajuda imigrantes ilegais

Marcelo devia ser tão julgado como o jovem português que ajuda imigrantes ilegais

Miguel Duarte sabia disto tão bem como eu sei que o auxílio à imigração ilegal e ao trágico de seres humanos é crime, em Portugal, em Itália e em qualquer parte da União Europeia.
André Ventura

É preciso chamar as coisas pelos nomes: o Miguel Duarte não é nenhum S.Francisco de Assis que anda pelo Mediterrâneo a salvar vidas perdidas. Trata-se de apoio à imigração ilegal e ao negócio obscuro e violento do tráfico de seres humanos. Aliás, segundo o Ministério Público italiano (que razões temos para duvidar da magistratura de um dos nossos parceiros europeus?) a ONG com a qual este jovem colabora não só se recusou a aceitar a presença policial nos barcos que resgatam os migrantes, como encetou contactos e diálogo com os traficantes de seres humanos no Mediterrâneo, esse negócio que já é mais rentável que o tráfico de droga na Europa.

Ou queremos ser sérios ou estamos só a produzir chavões para os telejomais do dia seguinte: eu, como líder do Chega, rejeito veementemente tornar este jovem em qualquer espécie de herói ou santo protetor dos refugiados.

Trata-se de apoiar uma atividade que, se não for cortada na raiz, está a caminho de provocar um dos maiores desastres sociais, políticos e humanitários na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. E Miguel Duarte sabia disto tão bem como eu sei que o auxílio à imigração ilegal e ao trágico de seres humanos é crime, em Portugal, em Itália e em qualquer parte da União Europeia.

O Presidente da República, que surpreendentemente se tem mantido em silêncio sobre o processo que envolve a queda do Banco Espírito Santo, decidiu colocar a sua alta magistratura ao serviço do politicamente correto e pedir justificações à justiça italiana Chegou a falar, imagine-se, em dever de auxílio. Marcelo devia ser politicamente julgado por estas palavras rudes, tal como Miguel Duarte será julgado por auxílio à imigração ilegal. Aliás, é por isso que tem a designação de ‘ilegal’. Por ser criminosa. Ilícita! O Presidente da República está-se nas tintas para o direito penal português ou italiano, quer ser reeleito e mais nada, apelando a um certo desconhecimento do fenómeno e ao coração mole dos portugueses. É vergonhoso! Se a ONG em que Miguel Duarte colabora quisesse realmente fazer a diferença estava nos centros de acolhimento de migrantes e refugiados a ajudar com alimentação e apoio jurídico, e não em barcos no Mediterrâneo onde rejeitam a presença das autoridades. Se quisessem verdadeiramente fazer a diferença estavam nos países de origem destes fluxos a denunciar os traficantes de pessoas e a fazer trabalho humanitário.

É mais fácil debitar chavões do género: ‘Quando vejo alguém a morrer não lhe peço o passaporte’. É um populismo doce e fácil. Mas a políticos exige-se mais: exige-se que vão um pouco mais profundo do que a espuma dos dias e assumam o dever de lutar pela segurança e pela dignidade dos europeus. E aceitem de uma vez por todas enfrentar as raízes do problema no Mediterrâneo, em vez de continuarem a encher os bolsos de meia dúzia de famílias na Líbia, na Síria e no Iraque. Às nossas custas, sempre às nossas custas!

Por causa de organizações como aquela em que Miguel Duarte colabora, os traficantes de seres humanos nem sequer têm de fazer um grande esforço para levar os migrantes até à costa italiana: basta ter tudo acertado para os deixar nalguma zona onde serão resgatados e finalmente levados até solo seguro. Já era um negócio criminoso e milionário. Agora toma-se seguro, apelativo e até sexy. Ainda vamos ter no Mediterrâneo algumas barcaças do Bloco de Esquerda a levar as pessoas até aos portos da Sicília ou do Sul de Espanha. É uma questão de tempo.

O que não pode acontecer é o Sr. Presidente da República apresentar-se nesta matéria como se falasse por todos os portugueses! Os contribuintes, os cidadãos de bem estão fartos! O dia do seu julgamento, Sr. Presidente, também chegará!

Podem deixar de lado a retórica da solidariedade que já só serve para as crónicas absurdas da Mariana Mortágua ou do Daniel Oliveira, podem parar de gritar sobre os deveres da humanidade com a insistência quase lunática do Eduardo Barroso, isto é simplesmente um negócio criminoso em que ninguém devia participar. E, se o decidir fazer, deve ser julgado por isso.

Não há dinheiro para advogados? Peçam ao Bloco de Esquerda ou ao Livre, afinal eles já fazem quase tudo para que um dia a tragédia de um grande ataque terrorista aconteça mesmo debaixo das nossas barbas.

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