SABADO.PT  – 18-04-2018

 

Os terroristas não pretendem matar pessoas, o que tencionam é lançar o medo e o terror entre as populações e alterar o seu modo de vida.

Na semana passada realizou-se o V Congresso de investigação criminal, organizado pela associação sindical dos funcionários de investigação criminal da Polícia Judiciária.

O tema do congresso foi o terrorismo e estiveram presentes especialistas nacionais e estrangeiros.

No evento foram homenageados, entre outros, Álvaro Militão, agente da Polícia Judiciária, morto pelas FPs 25.

O terrorismo também fez vítimas entre nós e tal não se deveu a radicais islâmicos.

Entre nós uma das vítimas mais importantes das Fps foi Gaspar Castelo Branco, Director-Geral dos Serviços Prisionais, um dos cargos cimeiros do Ministério da Justiça.

A Direcção de Combate ao Banditismo da Policia Judiciária teve um papel determinante no combate ao terrorismo em Portugal, o que a fez granjear grande prestígio e torná-la uma referência.

A Europa foi vítima de grupos terroristas de origem europeia ao longo de várias décadas.

A Espanha é o país europeu com maior número de vítimas de terrorismo, fruto da actividade da ETA durante um largo período.

O IRA teve uma intensa actividade na Irlanda do Norte e Reino Unido.

A acção das brigadas vermelhas em Itália também provocou muitas vítimas, chegando inclusivamente a assassinar o Primeiro-Ministro Aldo Moro.

Nos anos 70 do século XX, as brigadas Baader Meinhof provocaram o terror na Alemanha, com dezenas de homicídios, raptos, assaltos e rebentamento de explosivos.

Não podemos identificar o terrorismo com o fundamentalismo islâmico, pois a história recente de Portugal e da Europa desmentem tal facto.

No congresso supra mencionado houve duas comunicações que me chamaram especialmente à atenção e me fizeram meditar sobre as consequências económicas deste fenómeno e o facto da comunicação social, de forma involuntária, acabar por realizar os propósitos dos terroristas.

Boaz Ganor, especialista israelita, fundador e director do instituto para o contra-terrorismo de Israel, referiu que o número de mortes no seu país por ataques terroristas é insignificante, mas o número de vítimas em acidentes de viação é muito revelante.

Após ter ocorrido um atentado em Israel um jornalista perguntou-lhe o que mesmo iria fazer e este respondeu que iria jogar basquetebol, o que fazia todas as semanas.

De acordo com este especialista, os terroristas não pretendem matar pessoas, o que tencionam é lançar o medo e o terror entre as populações e alterar o seu modo de vida.

A Professora Maria da Fé Brás apresentou um estudo muito interessante que tratou a relação entre o turismo e o terrorismo.

Em determinados países do Norte de África e Médio Oriente, os atentados provocaram uma diminuição de turistas que se cifrou em muitos milhões e afectou a principal actividade nacional.

Os terroristas conseguiram afectar profundamente a vida das populações do Egipto ou da Tunísia.

Um único atentado neste último país, face à difusão mediática que teve, liquidou a indústria turística e destruiu a vida de muitos tunisinos.

A divulgação dos actos terroristas nos media e redes sociais acaba por amplificar o terror a uma escala planetária, verdadeiro objectivo de quem efectua tais actos.
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por, António Ventinhas