Falta de recursos é a principal preocupação do sindicato dos magistrados do Ministério Público. Está em curso uma petição para a abertura de novos cursos de formação.

A Procuradora-Geral da República recebe esta terça-feira o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. O presidente, António Ventinhas, espera que Joana Marques Vidal se coloque ao lado dos magistrados na luta por mais meios para a investigação em Portugal.

“Gostávamos que a senhora Procuradora-Geral comungasse das preocupações, como acredito que comungue, e que também rememos todos para o mesmo lado, no sentido de conseguir obter mais recursos para o Ministério Público, para conseguirmos prestar melhor serviço ao cidadão”, afirma o sindicalista à Renascença .

António Ventinhas acrescenta que “em cima da mesa vão estar vários problemas cruciais para a vida e o futuro do Ministério Público, desde logo a gritante falta de quadros que existe”.

Por isso, decorre desde o final de Maio uma petição a pedir um novo curso de formação de procuradores . “Está a ter muito boa receptividade. Em poucas semanas, temos cerca de 700 assinaturas, o que representa um universo muito sensível do sindicato do Ministério Público e uma grande adesão à causa da abertura de novos cursos de magistrados”, afirma o presidente do sindicato.

António Ventinhas tem manifestado, por diversas vezes, a sua preocupação perante a revisão do mapa judiciário anunciado pelo Governo e falta de recursos humanos. O sindicato fala em grave carência de efectivos.

“Está previsto que, nos próximos anos, se reformem cerca de 50 magistrados do Ministério Público e neste momento só estão em formação 20”, sublinha à Renascença .

A petição em curso será depois entregue à ministra da Justiça, Francisca Van Dunem.

António Ventinhas já se encontrou também com o Presidente da República, a quem transmitiu as suas apreensões perante a nova organização do mapa judiciário , “que exige um número maior de magistrados para fazer face à especialização” sem que haja mais pessoas a serem formadas.

Rádio Renascença Online, 21/06/2016