BOLSA DE ESPECIALISTAS
VISÃO, 15-06-2020 por Adão Carvalho, Secretário-Geral do SMMP

As estátuas são inertes, não descriminam as pessoas em função do género, da cor, da religião. Não agridem nem violentam quem delas se aproxima
 

As estátuas falam da história, do passado, da memória coletiva.

Os clássicos do cinema também nos recordam de um tempo que passou, dos usos e costumes de uma época, dos conflitos sociais, das convicções, das lutas de classes, das guerras, dos ódios raciais.

As estátuas são inertes, não descriminam as pessoas em função do género, da cor, da religião. Não agridem nem violentam quem delas se aproxima.

Os clássicos do cinema também não agridem ou matam.

Os seres humanos é que são capazes de fomentar os ódios raciais, de discriminar os outros pela cor, pelo género, pelo sexo ou pela religião.

Porém parece ser mais fácil atirar a responsabilidade e a culpa para as estátuas ou para os clássicos do cinema do que assumirmos as nossas culpas e trabalharmos em conjunto por um mundo melhor.

Não é pela destruição ou desfiguração de estátuas ou pela censura de filmes de cinema que situações, como a que ocorreu nos EUA e que vitimou George Floyd, vão deixar de se repetir em todos os quadrantes do planeta.

Recordo aqui as palavras de Martin Luther King “não procuremos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio. Devemos travar sempre a nossa luta no plano elevado da dignidade e da disciplina. Não devemos permitir que o nosso protesto criativo degenere em violência…”.

Do vandalismo e da destruição não brota nada de positivo para a humanidade.

A história revisitada nas estátuas, nos monumentos ou no cinema deve antes servir para manter viva a memória coletiva e dentro do possível apreendermos com os erros do passado.

Não podemos mudar o passado, mas podemos e devemos construir um presente melhor.

Atos de vandalismo e destruição sobre estatuas e monumentos públicos integram a prática de um crime público de dano qualificado, sendo de conhecimento oficioso quer pelas polícias, quer pelo Ministério Público, que pode iniciar o procedimento criminal sem precisar de esperar pela iniciativa da entidade pública responsável pelos mesmos.

A aposta tem de ser na educação, no fomento de uma cultura de respeito pelo outro.

A educação a todos os níveis e em todas as idades, incluindo no seio da família, em particular a educação em matéria de direitos humanos, é fundamental para mudar atitudes e comportamentos baseados no racismo, na discriminação racial, na xenofobia e na intolerância conexa e promover a tolerância e o respeito pela diversidade no seio das sociedades.

A educação constitui um fator determinante na promoção, difusão e proteção dos valores democráticos da justiça e da equidade, que são essenciais para prevenir e combater a propagação do racismo, da discriminação racial, da xenofobia e da intolerância conexa.

Termino com as palavras sábias de Nelson Mandela “Ninguém nasce a odiar outra pessoa pela cor da pele, origem ou religião. As pessoas podem aprender a odiar e, se podem aprender a odiar, pode-se ensiná-las a aprender a amar. O amor chega mais naturalmente ao coração humano que o contrário”.