SMMP - Sindicato dos Magistrados do Ministério Público Rio ataca Costa: “Se sabia, é gravíssimo; se não sabia, também é”

Rio ataca Costa: “Se sabia, é gravíssimo; se não sabia, também é”

António Costa não se deixou ficar e, minutos depois do ataque de Rui Rio, acusou o lider dos sodais-democratas de “se envergonhar a si próprio” e de ter atingido a “dignidade da campanha eleitoral”.

MAFALDA TELLO SILVA

mafalda. silva@ionline.pt

O discurso sobre o caso de Tancos subiu de tom com uma troca de ataques entre António Costa e Rui Rio. O dirigente social-democrata lançou a primeira pedra quando interrompeu a campanha eleitoral, durante a tarde de ontem, para reagir à acusação do ex-ministro da Defesa, pelo Ministério Público, no processo de Tancos: “É pouco crível que um ministro, seja ele qual for, não articule assuntos desta gravidade com o primeiro-ministro”, afirmou Rui Rio, numa conferência de imprensa, que decorreu nas Caldas da Rainha O dirigente social-democrata considerou também que mesmo que o líder socialista “não saiba, um governo não pode funcionar assim”. Ou seja, para Rio “Costa ou sabe ou não sabe e ambas as hipóteses são más”.

O ex-autarca da Câmara Municipal do Porto insistiu ainda na implicação de Costa no caso: “Perante um assunto desta gravidade o ministro da Defesa não avisa o primeiro-ministro? Sabemos que articulou com o presidente da concelhia do PS que também é deputado e não articula com o primeiro-ministro?”.

DIGNIDADE DA CAMPANHA’ Minutos depois de Rio ter falado com os jornalistas, Costa surgiu nas televisões a comentar as declarações do adversário: “Não é aos 58 anos que lhe reconheço autoridade para fazer julgamentos morais sobre a minha atitude política”, começou por dizer o secretário-geral do PS. Visivelmente desagradado com a intervenção do presidente do PSD, Costa acusou Rio de mudar de princípios de “dois em dois dias”, recordando que o social-democrata, no início da semana, tinha defendido que não se deviam fazer “julgamentos na praça pública”. O primeiro-ministro frisou que “o que é da Justiça à Justiça e o que é da política à política”, depois de já ter referido de manhã, à comunicação social, que “os casos da Justiça não se tratam na rua, muito menos em campanha eleitoral”. Ainda assim, as críticas mais severas ao líder do PSD seguiram-se. Costa afirmou que Rio se tinha “envergonhado a si próprio” com as declarações prestadas. “Rio não me atingiu, atingiu a dignidade desta campanha eleitoral”, acrescentou.

“ENCOBRIR CRIMINOSOS” Assunção Cristas foi das primeiras vozes a apontar o dedo, ontem, ao Governo de Costa sobre Tancos. A líder centrista exigiu “explicações públicas” ao primeiro-ministro, à margem de uma ação em Lamego, e deixou ainda uma mensagem a todos os eleitores: “Espero que as, pessoas reflitam muito bem no dia 6 sobre que tipo de governo querem ter. Se querem ter um governo que encobre crimes, que iliba criminosos, que impede a Justiça de funcionar”, declarou.

‘RESPONSÁVEIS MENTIRAM’ À esquerda, Catarina Martins insistiu, de manhã, que “para o BE este não é um tema de campanha”, mas, ao final da tarde, após a divulgação da acusação formal de Azeredo Lopes, a dirigente voltou a pronunciar-se sobre o caso, afirmando que “é muito grave” se o Ministério Público concluir que “responsáveis políticos mentiram numa comissão de inquérito” sobre Tancos. Porém, Catarina Martins voltou a sublinhar que espera que as eleições não se resumam a esta matéria. Com uma opinião contrária ao BE, Jerónimo de Sousa desvalorizou o impacto do caso nas eleições, mas concordou que “ninguém está acima da lei”, afirmando que “tem de haver julgamento”.

SMMP - Sindicato dos Magistrados do Ministério Público Arguido do caso Alcochete detido depois de fugir

Arguido do caso Alcochete detido depois de fugir

Elton Camará estava em prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

Elton Camará, um dos 44 arguidos do caso do ataque à Academia de Alcochete, foi ontem de manhã localizado em Marvila, Lisboa, e detido pela Polícia de Segurança Pública (PSP). O arguido estava em casa, com pulseira eletrónica, mas na quarta-feira saiu para uma consulta médica – autorizada pelo Tribunal do Barreiro – e acabou por não regressar à sua habitação.

Agora, o cabecilha do núcleo da Juventude Leonina de Marvila, mais conhecido por ‘Mamadu’ e ‘Aleluia’, vai ser presente a primeiro interrogatório judicial e, devido à fuga, a sua medida de coação poderá ser agravada.

O líder do núcleo da Juventude Leonina de Marvila, que para o Ministério Público é um dos responsáveis pela invasão à Academia do Sporting, está acusado de 100 crimes de ameaça agravada, sequestro, ofensa à integridade física qualificada, dano com violência, detenção de arma proibida e introdução em lugar vedado ao público. Em julho, a medida de coação do arguido foi atenuada, passando de prisão preventiva para prisão domiciliária.

Em prisão preventiva durante um ano, Elton Camará chegou a ser expulso pelo juiz durante o debate instrutório por ter gritado “vocês estragaram a minha vida”. Além disso, o arguido que é um dos líderes da Juventude Leonina foi candidato pelo Partido Trabalhista Português (PTP) às últimas eleições europeias. Na altura, queria mostrar que “a prisão preventiva é demasiado usada em Portugal”.

O julgamerito ao ataque que aconteceu no ano passado está marcado para o dia 18 de novembro.