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Nem a paragem da economia devido ao vírus arrefece a luta dos sindicatos

Nem a paragem da economia devido ao vírus arrefece a luta dos sindicatos

Crise provocada pela pandemia não chega para diminuir as exigências. CGTP não vai recuar nas reivindicações. UGT coloca a tónica na preservação dos empregos

Trabalho As últimas semanas mudaram, de forma radical, a face da economia portuguesa e a situação lâboral de muitos milhares de cidadãos. Mas será que os sindicatos vão abrandar as exigências que tinham para o ano de 2020 e seguintes em função da pandemia de Covid-19 e da nova realidade social? Em declarações ao JN, os principais dirigentes sindicais são unânimes na resposta negativa, embora a formulação do discurso não seja sempre a mesma.

“Mais do que uma redefinição, o que ganha ainda mais força é a urgência e a implementação do que vimos reivindicando”, sublinha Isabel Camarinha, secretária-geral da CGTP-IN.

mais 90 euros

“A importância do Estado e do investimento nas suas funções sociais, a urgência do combate ao modelo de baixos salários e ao flagelo da precariedade e a premência da aposta na produção nacional são reivindicações cuja validade e importância se revelam com toda a clareza na presente situação”, refere, sem deixar cair a exigência de aumentar os salários de todos os trabalhadores em 90 euros, a mais premente antes da pandemia, pois “o poder de compra e o consumo privado serão determinantes na fase de relançamento da economia”,

Carlos Silva, líder da UGT, alerta para o “momento excecional” que se vive, mas garante que “nenhuma reivindicação saiu de cima da mesa” e mantém a “pressão sobre o Governo para apoiar os trabalhadores, as empresas e a dinamização da economia, na esperança de que as coisas melhorem”.

“Se me pergunta se a negociação de determinado contrato coletivo está esta- ‘ cionada, neste momento está. Todos aguardamos com expectativa e serenidade o evoluir da situação.

Quando pudermos voltar à nossa vida normal, certamente que sindicatos, patrões e Governo irão retomar as negociações bilaterais e a concertação social, que não está suspensa”, acrescenta Carlos Silva, reforçando a prioridade coletiva: “Sem empresas, não há emprego e nós queremos defender os postos de trabalho, doa a quem doer”.

Mais duro no discurso é Sebastião Santana, líder da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública. “O ministro da Economia já veio dizer que não tinha a certeza da possibilidade de haver aumentos salariais no próximo ano [Governo chegou a admitir 1% para 2021]. Não vamos aceitar isso de forma nenhuma”, afirma, salientando que a subida salarial de 90 euros e a questão das carreiras são fundamentais: “A resposta imediata dos sistemas económicos passa pelo aumento dos salários. Não é a ajudar bancos que vamos salvar a economia e percebemos isso com a crise de 2008”.

A voz dos patrões

Habitualmente do outro lado da barricada, António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal, fala desta vez num “jogo de equipa” para combater a crise: “Deixa de estar em causa a guerra histórica do capital e do trabalho. Às empresas a que pandemia trouxe problemas disruptivos, como o fecho de portas e caixas a zero, compete fazer tudo o que mantenha postos de trabalho. Aos sindicatos, compete fazer tudo para manter as empresas. Pode parecer absurdo, mas é assim mesmo”.

“Temos dito ao Governo que é preferível apoiar o emprego do que pagai o desemprego. Governo, empresas e trabalhadores têm de ser simples, rápidos e eficazes. Isto implica medidas a fundo perdido, cem o apoio da União Europeia, não para as empresas terem lucros, mas para evitar o desemprego”, acrescenta. “Costumo dizer que finalmente os marcianos nos invadiram. Nunca pensámos que fosse possível, mas aconteceu. Temos de avaliar no dia-a- -dia, ter as tais reações simples, rápidas e eficientes”, sublinha.

Direitos mais limitados durante estado de emergência

Greve e ajuntamentos cortí mais de cinco pessoas proibidos

condicionantes Livre exercício sindical, greve ou a marcação de protestos de vária natureza. Todas estas formas de luta laboral vistas como naturais numa democracia não passam, neste momento, de direitos suspensos em nome do combate à pandemia.

A recente renovação do estado de emergência ainda veio complicar mais qualquer forma de luta. Os ajuntamentos com mais do que cinco pessoas vão estar proibidos pelo menos até dia 17

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