SMMP - Sindicato dos Magistrados do Ministério Público Diretor nacional da PJ tece elogios a Rui Pinto e fala da colaboração do hacker com a justiça

Luís Neves afirma que o arguido achava que a sociedade seria melhor se crimes de branqueamento e fraude fiscal fossem investigados.

A ex-eurodeputada Ana Gomes e o diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, vão ser esta quarta-feira ouvidos em tribunal como testemunhas arroladas pela defesa de Rui Pinto em mais uma sessão do julgamento do processo ‘Football Leaks’.

Entre as dezenas de pessoas chamadas a depor pelos advogados do criador do ‘Football Leaks’, no Tribunal Central Criminal de Lisboa, a antiga eurodeputada e ex-candidata presidencial é, porventura, um dos rostos mais mediáticos e aquele que mais ativamente se envolveu no apoio ao principal arguido do processo, não só pelas suas revelações sobre o mundo do futebol, mas também por ter estado na origem das informações que originaram depois o caso ‘Luanda Leaks’.

Ao minuto Atualizado a 12 de mai de 2021 | 11:28

11:24 | 12/05

Luís Neves defende “amadurecimento” de Rui Pinto Luís Neves fala ainda da mudança de comportamento do hacker: “Acho que ele interiorizou que o seu comportamento não era adequado. Foi preso. Nunca pensou nisso. Há um amadurecimento”.

Durante o inquérito, explica a testemunha, Rui Pinto, “foi correto e educado mas nunca quis falar” com as autoridades. “Tinha uma ideia romântica. Rebeldia”, explica.

11:21 | 12/05

Procuradora questiona vida do hacker na Hungria A procuradora questiona a testemunha se po arguido tinha bens na Hungria. Luís Neves diz que Rui Pinto “tinha muito poucos bens com ele, vivia uma vida modesta, até em termos alimentares”.

“Vivia sozinho?”, questiona a procuradora. “Tinha uma companheira”, responde o diretor nacional da PJ.

“Todas as investigações contra Rui Pinto estão suspensas?”, questiona. “Estão todas ou grande parte ali”, responde a testemunha.

11:17 | 12/05

Da relutância em falar à mudança “radical” de Rui Pinto Advogado Teixeira da Mota questiona Luís Neves sobre o trabalho de Rui Pinto. Se o continua a fazer e de forma “genuína”.

O diretor nacional da PJ diz que sim, que “mudou completamente a atitude na decisão instrução”.

“As coisas mudaram do dia para a noite”, assume Luís Neves.

“Pessoa útil para sociedade?”, questiona o advogado. “Mudou radicalmente. Mudou de atitude. Tem tido colaboração efetiva e importante. No conhecimento genuíno que tem e procura transmitir. E também do ponto de vista preventivo”, responde Luís Neves.

11:06 | 12/05

“Incomodava-o bastante questões de desigualdade e do branqueamento”, diz Luís Neves sobre o hacker

O diretor nacional da PJ descreve a colaboração de Rui Pinto com a justiça e como ajudou a PJ a desincriptar os discos rígidos apreendidos na Hungria.

Luís Neves elogia Rui Pinto pela memória e conhecimento que possui e pela preocupação do arguido “numa vertente muito social”.

“Tínhamos muitos discos que não podiam ser abertos. Muitos jamais conseguíriamos abrir. Com a sua intervenção os discos foram abertos”, afirma.

“Para além da informação de que é detentor, tem uma grande memória. Informaticamente é uma pessoa muito evoluída, capaz de estabelecer conexões nas matérias económicas. Recordo-me de livros, ligados com negócios do futebol, do Luanda Leaks, da área bancária. Percebeu-se que era uma pessoa com conhecimento e preocupação nesta área numa vertente muito social. Incomodava-o bastante questões de desigualdade e do branqueamento e fraude fiscal. Disse muitas vezes que a sociedade podia ser diferente se se investigasse estas áreas”, conclui o diretor nacional da PJ.

10:49 | 12/05

“O arguido vivia com o que tinha, dois pares de calças e uns ténis”: Diretor nacional da PJ sobre Rui Pinto

Luís Neves, o Diretor Nacional da PJ, afirma conhecer Rui Pinto a partir da reta final da instrução, altura em que o hacker começou a colaborar com a PJ. Recorda que toda a sua vida foi na unidade de contraterrorismo e lembra como foi feita a detenção do hacker na Hungria.

“Um mandado de detenção europeu era uma preocupação. Fizemos uma aposta muito grande para podermos localizá-lo. Fiquei preocupado sobretudo com alguns tipos de ameaça que podiam advir”, começa por explicar Luís Neves.

O diretor nacional da PJ revela que Rui Pinto vivia em “condições modestas” e com “algumas dificuldades”, com dois pares de calças e uns ténis.

“Vivia num sítio modesto e algumas dificuldades. Foi a decisão da colega húngara que levou à extradição. Até à instrução não foi possível contacto. Ele vivia com dificuldades. Vendo depois interesses que se moveram com a divulgação de informações, gerou lucros… vivia em condições particularmente difíceis. Eu não conheço nada do processo. O que posso dizer é que quando o tribunal de instrução nos questiona se tínhamos capacidade de colocar [na casa abrigo ou programa de proteção de testemunhas]… eu pessoalmente falei com o arguido várias vezes. Chegou a haver o fechamento. Havia o fechamento”, acrescenta.

Luís Neves descreve o silêncio inicial do hacker e a relutância em falar.

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