«Na moção aprovada há uma semana, em assembleia-geral, critica-se a “passividade” com que a hierarquia do MP tem assistido a ataques políticos. Mas o procurador-geral não é, ele próprio, um dos principais alvos de ataques?

Na opinião dos magistrados do Ministério Público reunidos em assembleia-geral, o PGR não se tem libertado suficientemente da teia política em que insistem em envolvê-lo. E é um imperativo que o faça. O MP exige-lhe que o faça, foi esse o sentido das deliberações aprovadas, depois de longa discussão e de intervenções muito radicalizadas.

Na semana passada foram conhecidos prémios atribuídos a gestores arguidos em processos mediáticos. Faria sentido legislar sobre estes casos?

Independentemente de serem arguidos ou não, é escandaloso que esses gestores de empresas com capital maioritariamente público tenham vencimentos diários – repito, diários – superiores aos vencimentos mensais do Presidente da República, ministros, deputados, médicos, professores, magistrados e muitas outras pessoas com elevadíssimos níveis de responsabilidade política ou profissional. Nem se diga que é o mercado. Então e quanto aos casos que mencionei, não é também importante captar os melhores? Vivemos num país onde a ambição e a ganância não têm limite. O problema é que há gente cada vez mais rica à custa do empobrecimento dos outros que pagam os seus impostos. É inadmissível!»

Entrevista do Presidente do SMMP ao Jornal I, publicada na edição de 22 de Março