11-01-2019 | Público
Autor: Ana Henriques
 
Escolha do novo director do Departamento Central de Investigação e Acção Penal foi bem recebida nos meios judiciários.   Nasceu em Coimbra há 63 anos, mas a infância fai passada em Angola, donde só regressou com o 25 de Abril: era lá que o pai trabalhava, como administrador de tima multinacional do ramo automóvel, e a família acompanhou-o. Este mês o discreto procurador Albano Pinto vai tornar-se uma das faces mais visíveis du combate ao crime económico-financeiro, ao substituir Amadeu Guerra tomo director do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).  
 
A escolha foi bem recebida nos círculos judiciários, onde é louvado pela capacidade de trabalho e serie dade. Do seu currículo destaca-se uma passagem, entre 2002 e 2004, pela Poliria Judiciária, onde esteve à freme da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira. “Ao longo dos últimos anos, publicou textos e estudos sobre diversos temas, designadamente, referentes ã criminalidade grave, económico-financeira e complexa e, em geral, sobre processo penal”, refere uma nota da Procuradoria-Geral da República.  
 
É por causa destas características que o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, António Ventinhas, o considera uma boa escolha. 0 procurador Euclides Dâmaso, que trabalhou com ele, diz que Albano Pinto “um dos magistrados mais bem preparados em matéria de criminalidade económico-financeira” do país e elogia a sua inesgotável capacidade de trabalho.  
 
Com uma vantagem em relação a Amadeu Guerra, sublinha outro colega: conhecer melhor do que o seu antecessor, que vinha da área do direito administrativo e hscal, as matérias investigadas no DCIAP, unde também correm processos relacionados com criminalidade violenta altamente organizada.  
 
Um dos casos que mais marcaram a carreira de Albano Pinto foi o da cadeia de bares de striptease Passerelle, que não só investigou como também acompanhou em fase de julgamento.  
 
Em causa estava uma rede de tráfico de mulheres baseada em imigração ilegal, mas também fuga ao fisco em grande escala. A criminalidade associada à imigração ilegal tomou-se, a partir daí, outra das suas áreas de especialidade. Esteve ainda ligado ao caso de um perigoso chefe da máfia siciliana, Giovanni Lore, que foi capturado no Bombarral. Menos conhecida é a sua passagem pelo conselho de disciplina da Liga Portuguesa de Futebol. Durante quase uma. década coordenou o círculo judicial de Leiria, tendo chegado ao topo da carreira, procurador-geral adjunto, em 2014. Era actualmente auditor jurídico nus Ministérios da Administração Interna e da Defesa, tendo sido nomeado há pouco tempo para o Supremo Tribunal dejustiça – local onde ma] iniciara ainda funções. “É de uma verticalidade ímpar**, assinala o colega Vítor Franco.  
 
Outro magistrado que trabalhou com ele antecipa que venha a ser menos diplomático que Amadeu Guerra no trato com a elite de cerca de três dezenas de procuradores que irá liderar: “Não é muito de tolerar egos e vedetismos. Se tiver de levantar n voz e cortar a direito fã-lo-á.” Vítor Franco corrobora-o: “É muito directo.” Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, ingressou no Ministério Público em 1982.