JORNAL DE NEGÓCIOS ONLINE  | 13-12-2018

Os magistrados judiciais vão voltar a negociar com o Ministério da Justiça, mas não excluem continuar a greve, se o Governo não ceder, e admitem também juntar-se à greve agora anunciada pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, contra a “politização da justiça”

Numa altura em que se preparam para voltar à mesa das negociações com o Governo, depois de terem cumprido dez dias de paralisação, os juízes admitem agora juntar-se também à greve anunciada pelo Ministério Público (MP) contra o que chamam “tentativa de politização das investigações”.

Manuel Soares, presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), confirmou ao Negócios que vão voltar a conversar com a ministra da Justiça, aproveitando o intervalo já previsto na greve, que só deverá ser retomada a 23 de Janeiro. “Presumo que regressar às negociações será para encontrar um meio caminho”, admite, para logo acrescentar: “Só aceitamos uma negociação por acordo que seja global. Não aceitamos rever metade do estatuto e nem deixar de fora as questões das carreiras, que eram compromissos que foram violados”.

No mesmo dia em que se soube que o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público vai também avançar com uma greve, Manuel Soares garante que os juízes estão totalmente solidários com a sua causa. “Nem sequer fecho a hipótese de fazermos greve com eles”, assegura. O SMMP contesta a intenção do PS e PSD de alteração na estrutura do Conselho Superior do MP, compondo-o maioritariamente por não magistrados.

O sindicato liderado por António Ventinhas considera que está em causa a criação de “um sistema dominado pelo poder político com o retrocesso irremediável do combate ao crime económico, pondo fim à separação de poderes”. Os magistrados têm aqui o apoio dos juízes: “Estamos totalmente ao lado dos procuradores, Não vale a pena ter tribunais independentes para julgar investigações que nunca lá vão chegar”, remata Manuel Soares.