Propostas do PSD para a Justiça sugerem “uma suspeita de querer controlar a Justiça e as investigações do MInistério Público”. E só a suspeita já é “péssima”, defende Marques Mendes

 


A proposta do PSD, acompanhada pelo grupo parlamentar do PS mas não pelo Governo, para alterar a composição dos conselhos superiores do Ministério Público é “péssima” e sugere uma vontade de “querer controlar a Justiça e as investigações do MInistério Público”. As críticas foram feitas por Luís Marques Mendes no seu habitual espaço de comentário na SIC, este domingo.

Analisando a iniciativa de Rui Rio, Marques Mendes diz ver aqui motivo para comparações com o antigo primeiro-ministro José Sócrates, atualmente acusado pelo Ministério Público de 31 crimes. “Nas propostas para controlar a Justiça e a comunicação social, José Sócrates e Rui Rio são irmãos siameses”, comentou. E considera que Rui Rio deveria ter mostrado mais apreço pelo trabalho de Joana Marques Vidal, ex-procuradora-geral da República: “Numa altura em que o Ministério Público passou a ser livre, determinado, nunca vi Rui Rio a ter uma posição clara de apoio (…) Se não fosse Rio, Marques Vidal ainda estaria em funções. Foi ele que a deixou cair” por não defender a sua permanência, frisou Marques Mendes. Rio só manifestou apoio a Marques Vidal depois de se saber que a procuradora não faria um segundo mandato, tendo sido substituída por Lucília Gago.

“Toda a gente percebe que a prioridade devia ser dar mais meios [ao MP] para investigar. Está tudo virado do avesso”, criticou o comentador e antigo líder do PSD.

Marques Mendes analisou ainda o caso de Armando Vara, o ex-ministro condenado a cinco anos de prisão por tráfico de influência que veio assegurar a sua inocência e criticar o juiz Carlos Alexandre (responsável pela fase de instrução do processo mas não pela sua condenação). E foi taxativo: “Não faz sentido nenhum, acho é que ele não tem vergonha na cara. É uma coisa sem descrição”. Recordando que a condenação não foi decidida por Carlos Alexandre, Marques Mendes acusa o ex-governante de “falta de honestidade intelectual” e “descaramento”.